Ao final da unidade V, esperamos que você seja capaz de:

Empresas de base tecnológica e desenvolvimento de Startups

INTRODUÇÃO

Olá caros alunos! No decorrer do nosso curso tivemos a oportunidade de estudar diversos temas relevantes dentro do empreendedorismo. Agora é hora de dar mais um novo passo. Iremos apresentar um tema de grande relevância: empresas de bases tecnológicas e startups.

Você terá a oportunidade de aprender o conceito de empresa de base tecnológica (EBT) e porque os empreendedores devem ter atenção para este tipo de negócio.  Existem algumas pesquisas evidenciam que empresas que utilizam alta tecnologia têm mais chances de sucesso que as demais.

Por fim, falaremos sobre Startups, apresentaremos os principais conceitos e o caminho que você deve trilhar para desenvolver a sua. Espero que você goste!

EMPRESAS DE BASE TECNOLÓGICA

Após ter aprendido tanto sobre empreendedorismo no decorrer deste livro, gostaríamos de fazer uma breve reflexão.

Seria interessante que você parasse a leitura e tentasse responder a essas questões:

Caso você fosse montar o seu empreendimento hoje, como ele seria? 

Qual seria a sua área de atuação? 

Que tipo de tecnologia você utilizaria? 

Qual modelo de negócio você utilizaria?

Caso queira que leia o que você escreveu, poste em nosso Fórum, ok! Mas o que iremos apresentar a seguir pode ajudar a você a repensar suas repostas.

Vamos prosseguir.

As empresas de base tecnológica (EBT) têm como principal característica sua capacidade de utilizar tecnologias inovadoras. Normalmente, tais empresas gastam boa parte do seu orçamento com Pesquisa e Desenvolvimento de novos produtos e as pessoas que nela trabalham possuem formação técnico-cientifica, em muitos casos na área de Engenharia e Tecnologia (MACHADO et al., 2001).

Isso significa que uma empresa que desenvolva um aplicativo que ajude seus usuários a manterem a boa forma por meio de dicas nutricionais, ou uma empresa que desenvolva cosméticos pode ser considerada uma EBT. Contanto que elas sejam capazes de inovar em seus produtos e utilizem conhecimentos técnico-científicos.

Caso você tenha a impressão de que este tipo de empresa é algo que está distante da sua realidade, saiba que você está equivocado. O conhecimento técnico advém de diversas áreas de conhecimento, o papel do empreendedor consiste em estruturá-lo por meio de um modelo de negócios que seja viável.

Em um livro chamado “Solo Fértil: Como Identificar Grandes Oportunidades para Empreendimento de Alta Tecnologia”, Scott Shane (2004) afirma que os empreendedores que criam empresas de alta tecnologia têm mais chances de sucessos do que aqueles que empreendem em negócios com baixa tecnologia. De acordo com Shane, não resta dúvida que existem diversos empreendimentos que possuem baixa tecnologia e são muito lucrativos. Veja por exemplo, o caso do Mc Donalds e do Walmart.  Eles deixam claro da possibilidade de sermos bem-sucedidos, mesmo quando não atuamos no setor de tecnologia.

De toda forma, é importante que você preste atenção em detalhe: “ser um empreendedor de sucesso envolve apostar no mais provável, não olhar para extremos” (SHANE, 2004).  Não estamos querendo desestimular que você monte empreendimentos em setores tradicionais, contudo é importante que você saiba que na indústria de baixa tecnologia (varejo e restaurantes) as chances de fracasso são maiores e retornos financeiros são mais baixos.

O nosso convite aqui é para que você analise com cautela o setor que tem interesse em empreender. Diversas pesquisas têm mostrado que o empreendedor tem mais chances de criar empresas com alto crescimento em setores específicos.

STARTUP: DESENVOLVIMENTO E CARACTERÍSTICAS

Ao pensarmos sobre a evolução dos empreendimentos no último século iremos encontrar grandes mudanças na forma como produtos e serviços são comercializados. Até a década de 1970 o que existia era a comercialização de produtos físicos (roupas, eletrodomésticos, carros) em lojas físicas. A partir da década de 1980 passa a ser possível comprarmos produtos digitais (ex. softwares) em lojas digitais.

Contudo, é a partir da década de 1990 que observamos o fenômeno das empresas ponto.com. Isso significa que diversos produtos físicos passaram a ser comercializados por meio de canais digitais. Mais recentemente nos deparamos com um novo contexto, no qual produtos digitais são comercializados por meio de canais digitais.

Pense no seu dia a dia, você certamente faz uso de diversos aplicativos tanto em seu celular, quanto no seu computador, todos eles são fruto dessa revolução digital. É dentro deste contexto que o termo startups vem se popularizando por todo o mundo.

MAS AFINAL DE CONTAS, O QUE É UMA STARTUP?

Em seu livro Startup: Manual do Empreendedor, Steve Blank e Bob Dorf (2014) definiram uma startup como uma empresa de caráter temporário que surge com o objetivo de buscar um modelo de negócios que seja recorrente, escalável e lucrativo.

Uma startup é uma empresa pequena, ainda em um estágio inicial de desenvolvimento. A grande maioria delas atua em negócios com base tecnológica que utilizam canais digitais para distribuição de seus produtos. No momento em que são criadas, as startups não sabem exatamente quais são as necessidades dos seus clientes e desconhecem o modelo de negócios que tornará viável o seu crescimento. Sendo assim elas deverão ser capazes de testar possíveis modelos de negócios (BLANK e DORF, 2014).

Também é importante destacar que uma startup tenha caráter temporário. Isso ocorre porque depois de algum tempo em funcionamento as startups podem seguir em duas direções distintas.  Na primeira delas, os empreendedores identificam um modelo de negócio escalável, com grande potencial de crescimento, captam recursos e crescem até se se tornarem uma grande empresa, na maioria das vezes com capital aberto. Este processo aconteceu com empresas como o Google e o Facebook. Contudo, também existem diversas startups que caminham na direção contrária e encerram as suas atividades ainda muito pequenas.

Para que você compreenda melhor o que falamos até aqui, vamos trabalhar com um exemplo muito simples. Imagine que você opte por montar um empreendimento. Após meses elaborando um plano de negócios você inaugura a sua lanchonete. Como você foi cuidadoso com todos os detalhes e está atendo a demanda dos seus clientes, em pouco tempo você passa a ter uma grande demanda (500 atendimentos por dia).

Figura 1 - Lanchonete

Fonte: Disponível em: http://kalanga.com.br/blog/wp-content/uploads/2013/05/interior-de-lanchonetes-4.jpg Acesso em 15/07/2019

Vamos supor que o sucesso do seu empreendimento seja tão evidente que você escolha por ampliá-lo para atender uma demanda estimada de 2500 clientes por dia.

Essa ampliação certamente irá aumentar a sua receita em decorrência do aumento das vendas, contudo, as despesas também terão um gasto significativo com a locação de um espaço maior, novos investimentos em móveis e contratação de novos funcionários.  Isso significa que o seu empreendimento não permite ter ganhos em escala.

Agora, veja o exemplo do Waze. Trata-se de um aplicativo criado em Israel em 2008. Além de mostrar a melhor rota para se chegar em determinado local ele permite que os usuários do serviço possam trocar informações entre si, melhorando o percurso diário de todos.

Em 2013, com apenas cinco anos de vida, o Waze foi vendido para o Google por um valor de aproximadamente $1,3 bilhões. De acordo como site de tecnologia da IG, em 2014, o Waze atendia 50 milhões de usuários em todo o mundo, sendo 6 milhões apenas no Brasil.

Já o WhatsApp foi comprado pelo Facebook em 2014 por $16 bilhões. Atualmente, a sua base de clientes possui mais 450 milhões de usuários espalhados pelo mundo. Tais informações colocam em evidenciar a escalabilidade das startups. Como grande parte dessas empresas atua em ambientes digitais, o aumento da base de clientes não implica em aumento significativo de gastos. Isso permite grande lucratividade desses empreendimentos e ganhos consideráveis em escala.

Após observar esses números, talvez você esteja pensando seriamente em montar sua startup. Contudo, precisamos fazer um alerta!   O empreendedor nessa área deve saber conviver o risco. Eric Ries (2011, p.24) define uma startup como “uma instituição humana projetada para criar novos produtos e serviços sob condições de extrema incerteza”.

Percebam que a definição do Ries é extremamente ampla. Ela não faz nenhum tipo de restrição com relação ao tamanho, nem com relação ao setor da economia no qual a empresa deve atuar para ser considerado uma startup (RIES, 2011).

As startups podem nascer de organizações de grande porte, que criam empresas menores para desenvolver e comercializar uma determinada tecnologia, como ocorre com os spin-off corporativos. Também é possível identificar startups oriundas de spin-off acadêmicos, que ocorre com a criação de uma empresa para comercializar tecnologias que tiveram origens em pesquisas realizadas dentro das universidades. Uma startup também pode surgir da ideia de jovens que querem resolver que identifiquem demandas sociais.

O ponto mais importante neste conceito de startups é o fato de que elas devem ser projetadas para enfrentar situações de grande incerteza, uma vez que ela desenvolve um produto ou serviço inovador. Sendo assim:

De acordo com Thiel (2014) novas tecnologias tendem a surgir por meio de novas empresas, como é o caso das startups. Isso ocorre porque quando os negócios são menores, as pessoas conseguem perceber com mais clareza a missão de tornar o mundo melhor. Além disso, grandes organizações possuem hierarquias burocráticas, que são avessas ao risco e dificultam a inovação.

Portanto, podemos afirmar que um dos pontos que facilita o processo de inovação dentro de uma startup é fato de que elas possuem uma estrutura enxuta, em que as pessoas interagem mais. Além disso, os empreendedores têm menos a perder do que uma empresa já consolidada. A experimentação e a aceitação de que as coisas podem dar errado, ocupam o lugar do temor existente em grandes empresas.

Abrir uma nova empresa, que seja um clone exato de negócios já existente, copiando modelo de negócios, precificação, cliente alvo e produto, pode até ser um investimento economicamente atraente, mas não é uma startup, pois seu sucesso depende apenas da execução tanto que este sucesso pode ser modelado com grande exatidão (RIES, 2011, p.25)

RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DAS STARTUPS:

DESENVOLVIMENTO DE CLIENTES E MOVIMENTO STARTUP ENXUTA

Agora que você já sabe o que é uma Startup será necessário dar um passo importante. Nesta seção, iremos apresentar abordar as metodologias do desenvolvimento clientes de Steve Blank e da Startup Enxuta de Eric Ries, que são essenciais para quem quer montar um startup.

A metodologia de desenvolvimento de clientes é fruto dos trabalhos de Steve Blank, que é uma das maiores referencias em Empreendedorismo no mundo. Ele chegou ao Vale do Silício na década 1970 e em pouco mais de 20 anos ele criou 8 startups.  Atualmente ele leciona empreendedorismo na Stanford University, em Berkeley e na Columbia University. O seu primeiro livro se chama do sonho e revolução em 4 passos e o segundo, Startup: Manual do Empreendedor foi escrito com Bobo Dorf.

Até bem pouco tempo atrás os empreendedores pressupunham conhecer o caminho correto para a criação de uma startup de sucesso. Eles adotavam modelos de desenvolvimento de produtos e clientes com base nos conceitos ensinados nas escolas de negócios. Contudo, as ferramentas de gestão aplicadas a grandes organizações apresentam grandes distorções quando são utilizados por empresas menores (BLANK e DORF, 2014).

Na maioria das vezes era possível observar empreendedores elaborando seus Planos de Negócios extremamente analíticos, contendo estimativas com as vendas do futuro negócios, bem como definição do tamanho do mercado e diversos itens a serem monitorados para que o produto final seja alcançado. O grande problema desse tipo de Plano é que eles dificilmente contribuem para o sucesso das empresas. Na verdade, 90 % dos novos produtos fracassam quando utilizam essa lógica (BLANK e DORF, 2014).

De acordo com Blank e Dorf (2014)existem noves pecados mortais que podem ser cometidos no lançamento do um produto:

1. Presumir que “Eu sei o que o cliente quer”.

Lembre-se um startup é uma empresa nascente em busca de um modelo de negócio.  No primeiro dia de funcionamento a startup não possui clientes. Sendo assim, no dia um, uma startup se restringe a um conjunto de hipóteses, nada mais. A metodologia tradicional, com base no plano de negócios sugere que o empreendedor gaste muitos recursos desenvolvendo produtos sem contato prévio com os clientes.

2. “Eu sei quais são as características dos produtos.”

Quando um empreendedor acredita saber o que o cliente quer, ele acaba desenvolvendo produtos com base nos seus pressupostos. Isso pode funcionar bem com uma empresa que já estejam em funcionamento e conheçam bem a realidade dos seus clientes. Já no caso das startups, é necessário que o empreendedor vá para rua e conheça bem a demanda dos seus clientes.

3. Foco na data de Lançamento:

É muito comum entre as empresas que trabalhem com metodologias tradicionais de desenvolvimento de produto determinar uma data de lançamento. A partir daí são definidos cronogramas que devem ser rigorosamente cumpridos até o grande dia. Contudo, não é raro que grandes lançamentos sejam acompanhados de grandes fracassos. De acordo com Blank e Dorf (2014, p.9)  “ é natural e óbvio que todas as empresas queiram colocar e vender um produto no mercado, contudo, isso não deve ser efetuado antes  que a companhia saiba a quem estão vendendo e por que irão comprar. Portanto, o lançamento de um produto deve ser testado e aprovado pelos públicos de interesse.

4. Ênfase na execução em lugar de Hipóteses, Testes, Aprendizagem e Iteração.

As startups devem abandonar a lógica tradicional que está apoiado em um programa passo a passo, voltado para a execução. Isso significa que as startups devem começar estabelecendo hipóteses, em seguida, será necessário submetê-las a testes, que na maioria dos casos irão se mostrar equivocadas. Dessa forma será necessário repensar hipóteses até e aprender com elas até encontrar um modelo de negócios que seja viável.

5. Planos de Negócios tradicionais não incluem tentativa e erro.

Conforme dissemos anteriormente, uma startup precisa testar suas hipóteses. Nada pode ser mais importante que analisar as experimentações feitas com clientes. Sem isso, torna-se impossível validar um modelo de negócio.

 6. Confundir títulos e Cargos Tradicionais com o que uma Startup precisa para cumprir o Objetivo.

É comum que algumas Startups tentem criar estruturas organizacionais parecidas com as tradicionais, contratando profissionais de vendas, finanças marketing e produção. Isso não funciona na prática quando estamos falando de startups.

7. Vendas e marketing executam o Plano.

Nos modelos tradicionais é comum que profissionais de marketing atuem com foco no lançamento do cliente. Ou seja, após o lançamento e a primeira remessa para o cliente algumas questões serão sanadas. Contudo o ideal como dissemos anteriormente é que todos os testes com clientes sejam realizados antes desta etapa.

8. Presunção de Sucesso leva aumento de escala prematuro.

A utilização de planos de negócios induz ao raciocínio de que não existirão falhas no percurso. Ou seja, há pouco espaço para erros, e aprendizagem para  realizar as devidas adequações.

9. Gerir na crise leva altos custos de financiamento.

O desenvolvimento de clientes parte do pressuposto que as startups devem ter uma forma estruturada para testar as suas hipóteses e validar variáveis relacionadas aos mercados, clientes, canais e preços. Dessa forma é possível transformar estimativas em fatos  (BLANK e DORF, 2014).

Figura 2 - As 4 Fases do Desenvolvimento de Clientes

Fonte: BLANK e DORF, 2014, p. 21

Conforme temos a possibilidade de ver na figura acima as quatro etapas do desenvolvimento de clientes não são circulares. Elas começam com a descoberta dos clientes. Isso acontece com base na visão dos fundadores da empresa, seguida de testes com clientes. O objetivo desta etapa é transformar hipóteses em fatos.

Na etapa seguinte, busca-se verificar se o modelo de negócios é escalável e repetível. Caso isso não seja constatado, volta-se a etapa anterior. A terceira etapa é chamada geração de demanda e tem por objetivo definir o montante de usuários e a dimensão do negócio.

Na quarta e última etapa do modelo busca-se trabalhar no processo de transição da startup para que ela possa se tornar uma grande empresa, tendo como base a validação do modelo previamente aprovado.

Iremos detalhar este modelo em um texto chamado: Como criar a sua startup? Que está no Aprendendo, portanto, não deixe de acessá-lo.

STARTUP ENXUTA (THE LEAN STARTUP)

Agora você terá a oportunidade de conhecer os principais conceitos de uma importante metodologia desenvolvida por Eric Ries, que se chamada A Startup Enxuta (The Lean Startup). É importante destacar que o livro do Ries lançado no Brasil em 2011 (A Startup Enxuta) tem servido como referência para muitos empreendedores, principalmente para aqueles que possuem uma startup.

A metodologia da Startup Enxuta tem como base o conceito de produção enxuta, que se originou no Japão, dentro fábrica da Toyota, após a segunda guerra mundial.  A indústria automobilística japonesa desde então se tornou referência para diversas indústrias. O pensamento enxuto prevê aumento da eficiência por meio da eliminação de perdas. Os japoneses consideram que a perda é tudo aquilo que gera valor ao produto, ou seja, que não satisfaz os interesses do cliente.

De acordo com Ries (2011) a produção enxuta valoriza o conhecimento dos funcionários e a redução do tamanho dos lotes de produção. Além disso, o Sistema Toyota de Produção é muito conhecido pelo Just in Time, que é um conceito baseado na ideia de que a produção deve ser “puxada” a partir da demanda, de forma que seja possível produzir somente itens necessários, no momento necessário e na quantidade necessária. Isso evita excesso de estoques e contribui para eliminação de desperdícios (CORRÊA; GIANESE, 2013). 

Talvez vocês esteja se perguntando de que forma uma metodologia voltada para indústria poderia ser útil para o desenvolvimento de uma Startup? Este é o ponto central do livro Startup Enxuta.

De acordo com Ries (2011) com Ries o sucesso de um empreendimento está associado a algumas importantes descobertas:  que tipo de produto/ serviços os clientes querem ou precisam e estão dispostos a pagar por eles?

Na maioria das vezes, empreendedores tentam responder a essas perguntas por meio Planos de Negócios, no qual fazem diversas pesquisas de mercados com o objetivo de descobrir a preferência dos consumidores.  De acordo com Ries (2011) estes métodos são falhos, uma vez que não provocam interação direta com o consumidor.

O método startup enxuta propõe que o empreendedor aprenda a dirigir uma startup. Isso significa renunciar a planos complexos, que estão estruturados em com base em inúmeras hipóteses, para adoção de uma lógica que permita a experimentação e ajustes constantes, por meio do ciclo de feedback chamado construir-medir-aprender.

Imagine que você queira criar um aplicativo que tenha por objetivo unir pessoas que queiram dar caronas e pessoas que queiram dar caronas. Esta é uma demanda latente da nossa sociedade, tendo em vista o caos que enfrentamos nas ruas de todas as grandes cidades do mundo por causa do excessivo número de transportes.

Embora possa parecer tentador lançar um aplicativo com inúmeras funcionalidades, como por exemplo: espaço para troca de mensagens entre usuários, brindes para quem acumula pontos e convênios com empresas parceiras. A metodologia da startup enxuta sugere que você lance um produto mínimo viável.

Isso significa que você deve lançar uma versão mais simples do aplicativo e a partir daí você terá a oportunidade de compreender aquilo que é de fato relevante para o cliente. Dessa forma é possível gastos desnecessários com o desenvolvimento de funcionalidades que ninguém considera importante.

A experiência do cliente permite ao empreendedor um processo chamado por Ries de aprendizagem validada. Ou seja, o produto mínimo viável oferece importante feedbacks para que as startups identifiquem de forma assertiva aquilo que é considerado valor para o usuário.

Detalharemos esta metodologia no Aprendendo. Fique atento!

O CASO BUSCAPÉ: DE UMA STARTUP À UMA DAS MAIS VALIOSAS EMPRESAS DO SETOR

A história do BuscaPé teve início no final da década 1990, quando os estudante de  Engenharia Elétrica da POLI-USP, Romero Rodrigues e Rodrigo Borges viram na internet uma grande oportunidade de negócio. (1)

(1) O caso do Buscapé foi escrito com base nos relatos do Romero Rodrigues, apresentados no livro Startup Brasil, de autoria de Pedro Mello e Marina Vidigal.

Entre 1996 e 1999 eles haviam feito estágio no Larc (Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores da Poli) e tiveram a oportunidade de se envolver em diversos projetos, como: desenvolvimento de redes metropolitanas que tinha por objetivo conectar todos os centros acadêmicos do Brasil e a criação de serviços de e-mails para o laboratório.

O que motivou o início do Buscapé foi uma situação vivenciada com Rodrigo em junho de 1998. Ele queria comprar uma impressora, e ao pesquisar na internet ele constatou que não havia nenhuma informação sobre preços do produto na internet. Naquela época, ainda não existia o Google, portanto, as pesquisas foram realizadas em sites como o Cadê, Yahoo e Altavista.

O problema enfrentado por Rodrigo naquele momento serviu como insight para que ele e Romero desse início ao desenvolvimento de um site de pesquisas de preços.

A ideia inicial do site era um pouco diferente do Buscapé que conhecemos hoje. Ao invés de utilizar informações das lojas virtuais, como ocorre nos dias de hoje, eles optaram por capturar e divulgar os preços praticados por lojas físicas.

Para que isso fosse viável a equipe, que passou a contar com mais um sócio, o Rogério, que também era aluno da POLI (Romero, Rogério e Rodrigo) desenvolveu um software que seria instalado nas lojas que tivessem interesse em se filiar ao site. O Programa levantaria os preços por meio de uma planilha do excel e depois iria transferir as informações para o banco de dados central.

Após quatro meses desenvolvendo o software a equipe do Buscapé apresentou o conceito do negócio para alguns lojistas. Eles foram surpreendidos, pois a grande maioria dos comerciantes recebia os jovens às gargalhadas e outros nem encerravam a ligação telefônica. Ninguém queria divulga preço de produtos pela internet.

Esse primeiro feedback serviu para que o Buscapé mudasse o seu modelo de negócio. Ao invés de coletar preços das lojas físicas, eles começaram a levantar tais informações junto às empresas que já faziam vendas online naquela época, em 1998.

Figura 3 - BuscaPé

Fonte:https://exame.abril.com.br/
tecnologia/
buscape-vira-lider-global-em-comparacao-de-precos/

O site Buscapé foi colocado no ar em 1999 e após um aporte de capital de três milhões de dólares oriundos do Banco Merrill Lynch, Unibanco e Brazil Warrant e empresa finalmente decolou.

Em 2005, o Buscapé recebeu nova rodada de investimentos do Great Hill, que é um fundo de Private Equity, o que permitiu a expansão, inclusive com a compra do seu principal concorrente, que era o Bomdefaro. Em 2009, com a saída do Great Hil do negócio a Naspers comprou 91 % das ações do Buscapé por trezentos e quarenta e dois milhões de dólares.

Bom, o resto dessa história ainda está em curso e vale a pena ser observada.

SAIBA MAIS

Para saber mais: http://startupi.com.br/ | https://endeavor.org.br/ | http://www.abstartups.com.br/

LEITURA COMPLEMENTAR

Startup: Manual do Empreendedor – Autores: Steve Blank e Bob Dorf

Startup Enxuta: Eric Ries.

RESUMO DA UNIDADE

Nesta unidade, apresentamos importantes conceitos sobre temas relacionados ao empreendedorismo. Em um primeiro momento abordamos os conceitos de Arranjos Produtivos Locais e Cluster de Inovação. Tivemos a oportunidade de compreender que não obstante a globalização seja um fenômeno consolidado, a atuação de empresas por meio de redes regionalizadas é capaz de gerar vantagem competitivas para todos que compões este tipo arranjo.

Além disso, falamos sobre o conceito de Empresas de Base Tecnológica. Demos ênfase a teoria de um importante Prof. De Empreendedorismo da School of the University chamado Scott Shane. De acordo com Shane empreendimento baseados em tecnologia tem mais chances de serem bem-sucedidos que os empreendimentos tradicionais.

Por fim apresentamos os conceitos mais relevantes sobre Startups e apresentamos duas metodologias que têm sido muito utilizadas nos dias de hoje.

Espero que vocês tenham gostado de todo conteúdo da unidade. Não deixe de acessar o aprendendo. Lá teremos uma complementação de conceitos vistos por aqui.  

Assista aos vídeos desta Unidade e aprofunde mais sobre o assunto:

REFERÊNCIAS

  • BLANK,
    Steve; DORF, Bob. Startup: Manual do Empreendedor o guia passo a passo
    para construir uma grande empresa. Rio de Janeiro. Alta Books, 2014.
  • MACHADO,
    S. A., et al. MPEs de base tecnológica: conceituação, formas de
    financiamento e análise de casos brasileiros. São Paulo: Sebrae-SP, 2001.
    Disponível em: http://www.empresafamiliar. com.br/EMBATEC.pdf.>. Acesso
    em: 12 jan 2015.
  • RIES,
    Eric. A Startup Enxuta: como os empreendedores atuais utilizam a inovação
    contínua para criar empresas extremamente enxutas. São Paulo, Lua de
    Papel, 2012.
  • SHANE,
    Scott. Sobre o Solo Fértil: como identificar grandes oportunidades para
    empreendimentos em alta tecnologia. Rio Grande do Sul: Bookman, 2004.
  • THIEL,
    Peter. De Zero a um: o que aprender sobre empreendedorismo com o Vale do
    Silício. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014.
  • Sites pesquisados

http://g1.globo.com/tecnologia/
noticia/2014/02/facebook-compra-o-aplicativo-whatsapp-por-us-16-bilhoes.html.

http://www.fiemg.org.br/Default
.
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http://experience.hsm.com.br/
posts/
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