Caso introdutório – Biólogo cria sistema de armadilhas e controle do mosquito da dengue.
Para resolver o problema da dengue, um biólogo criou um sistema de controle da doença bastante diferente. Em vez de eliminar os focos, o Monitoramento Inteligente da Dengue (MI-Dengue) extermina os mosquitos que transmitem a doença.
A plataforma de controle da dengue foi criada por Álvaro Eiras, professor e pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A princípio, Eiras desenvolveu uma armadilha para o Aedes. Batizada de MosquiTRAP, a estrutura conta com uma fita adesiva, em que a fêmea do mosquito – os machos não têm o vírus da dengue – fica grudada, morre e deixa de colocar ovos.
Mas o mosquito não chega à MosquiTRAP por conta própria. Para pegar o inseto, Eiras desenvolveu o AtrAedes, um odor que atrai a fêmea. “Até havia produtos semelhantes no exterior, mas as taxas de importação deixavam os preços muito altos. Para diminuir os custos, comecei a trabalhar em uma alternativa própria”, disse o professor à revista “Pequenas Empresas Grandes Negócios”. Posteriormente, Eiras se aliou a outros sócios e criou a Ecovec, empresa que lançou o MI-Dengue comercialmente.
A plataforma de controle não foi criada para o varejo, mas para o poder público. “Firmamos contratos com prefeituras ou governos estaduais e instalamos as armadilhas nos municípios”, afirma o pesquisador.
A armadilha não elimina a figura do profissional que faz a vistoria. A diferença é que o agente de saúde vai até a MosquiTRAP, faz a contagem dos mosquitos mortos e manda os dados pela internet para um sistema.
Como as armadilhas também são georreferenciadas, é possível identificar, em um mapa, quais são as regiões com mais casos de dengue.
Esta não é a primeira vez que o MI-Dengue é reconhecido no exterior. Em 2006, a plataforma de controle da dengue foi uma das vencedoras do Tech MuseumAwards. Na época, Eiras viajou aos Estados Unidos para receber o prêmio. De quem? Bill Gates.
Para saber mais, acesse os
seguintes links:
http://www.otempo.com.br/
hotsites/luta-contra-a-dengue/bi%C3%B3logo-cria-sistema-de-armadilhas-e-controle-do-mosquito-da-dengue-1.855541
Após conhecermos a história do MI-Dengue, que foi desenvolvido pelo Professor e Pesquisador Álvaro Eiras, será mais fácil compreender os conceitos relacionados à inovação, bem como os caminhos trilhados para o desenvolvimento de novos produtos. O que este pesquisador fez, foi desenvolver uma tecnologia e gerar impacto econômico e social por meio de uma invenção e isso, o tornou inovador.
A inovação, mais do que nunca, deve ser uma prioridade por qualquer tipo de organização que busque crescimento ou até mesmo sua sobrevivência em um mercado tão volátil, marcado por um ritmo frenético de desenvolvimento de novas tecnologias.
A palavra inovação faz parte da missão de diversas empresas e é utilizada como uma forma de caracterizar diversos tipos de produtos e serviços. Não se trata de uma questão de escolha, caso as empresas não consigam promover constantes melhorias nos seus produtos e serviços, elas perderão mercados para os seus concorrentes rapidamente.
Embora a inovação imponha uma luta constante pela sobrevivência dentro dos mercados, é possível destacar que é a inovação contribui de forma direta para a criação de novos empreendimentos e melhoria na qualidade de vida das pessoas. Além disso, a inovação é considerada fator chave para o desenvolvimento econômico.
Como veremos nesta unidade, existem algumas formas de inovação. Parte delas são resultantes de pequenas adaptações em produtos ou serviços e são chamadas de incrementais. Por outro lado, existem inovações que mudam completamente o hábito das pessoas por novos produtos e serviços, sendo consideradas radicais.
A seguir, você terá a oportunidade de compreender que a inovação é um imperativo. Não há empreendimentos de sucesso sem inovação. Sendo assim, você deve ter muita atenção na leitura desta unidade que você possa aprender e aplica o que você irá aprender no trabalho atual ou futuro.
A inovação consiste em um processo de mudança que pode gerar na criação de algo de uma tecnologia, serviço ou produto completamente novo, ou no aprimoramento daquilo que já existe. Entretanto, para que você compreenda a inovação é importante que você saiba que deve gerar impacto econômico e social.
É importante ressaltar que qualquer organização ou pessoa, a título individual, pode ser inovadora. Inovar não significa o condicionamento aos grandes negócios com emprego de recursos exorbitantes, com a contratação de um gestor de inovação ou outro profissional altamente treinado e qualificado, com pós-graduação na área. As microempresas, por exemplo, com pequenas ideias empreendedoras, constituem terreno fértil para inovar.
Muitas pesquisas recentes permitiram o desenvolvimento de tecnologias necessárias para surgimento de carros autônomos, que em poucos anos serão uma realidade e mudarão por completo o conceito de mobilidade. Além disso, tecnologias utilizando o Grafeno por exemplo, já nos permitem recarregar celulares em cinco minutos (Zao&Go) e ter celulares com tela dobrável. A área de tecnologia da informação trabalha com Inteligência Artificial e aprendizagem em máquina e nos permite interagir como robôs em call center e chats online, em muitos casos, sem saber que estamos.
O caso do Watson é emblemático! Trata-se de um pacote de serviços da IBM voltado para atender demandas empresariais por meio do uso da Inteligência Artificial. O robô Watson já foi testado de diversas formas. Ele é considerado um dos primeiros avanços da linguagem natural e foi testado inclusive em um programa de televisão norte americano chamado Jeopard, que é uma competição de perguntas e respostas.
Na unidade da IBM em TelAviv (Israel) o robô foi capaz de debater com humanos sobre o impacto dos jogos de azar na vida das pessoas, apresentando dados argumentando e contra-argumentando com fatos e números.
De acordo com Walker et. al. (2015, p. 408) a inovação “é introdução de novos, produtos, serviços ou processos para o mercado externo ou a introdução de novos dispositivos, sistemas, programas ou práticas em uma ou mais unidades internas”.
A organização pode ocorrer tanto na criação de um produto ou serviço, quanto na melhoria de um processo dentro organizações. No nível organizacional, a inovação pode ser definida como a adoção de uma ideia ou comportamento, que possui uma relação direta como um produto, serviço, sistema, política, ou programa, que é novo considerado para as empresas (DAMANPOUR; GOPALAKRISHNAN, 2001).
Essa e outras aplicações da inteligência artificial podem ser encontrados no vídeo Discovery Brasil | Inteligência Artificial – IBM.
A inovação é uma forma que a organização tem para se adaptar e se antecipar a futuras demandas ambientais. Portanto, gestores devem estar sempre atentos não só para a taxa de inovação, mas também para a velocidade de adoção, uma vez que isto permitirá ganho de competitividade da empresa (DAMANPOUR; GOPALAKRISHNAN, 2001).
A inovação gerencial é caracterizada pela adoção de novas práticas de gestão, ajustes em processos ou na estrutura, que são capazes de contribuir para o alcance dos objetivos organizacionais. Trata-se de um processo particular de mudança organizacional, tendo em vista que envolve a introdução de novidade em uma organização já existente. (BIRKINSHAW et al., 2008).
Existe mais uma forma de mensurar a inovação, Damanpour e Gopalakrishnan (2001) apresentam os conceitos de taxa de adoção, que está baseada na frequência e na consistência das inovações e velocidade de adoção, que é o tempo que empresa leva para adotar uma inovação após a sua primeira aplicação em outras organizações, na maioria das vezes na própria indústria.
Diversas pesquisas sinalizam a relevância da adoção de inovações tecnológicas para o aumento de competitividade para as empresas. Contudo, a identificação dos efeitos na performance das empresas em virtude da adoção de inovações gerenciais ainda é uma questão em aberto (WALKER et. al., 2015)
Além da diferença entre inovações tecnológicas e gerenciais, é importante compreender os conceitos de inovação de produto e de processo. De acordo com Damanpour e Gopalakrishnan (2001) a inovação de produto é definida como novos produtos ou serviços que buscam satisfazer as demandas do mercado ou de usuários externos. Já a inovação em processos é definida como novos elementos que são introduzidos dentro de operações de serviço ou produção da organização.
A inovação em produto tem como principal foco o público externo da organização, é voltada para os consumidores. Por outro lado, a inovação em processos tem um foco na eficiência o no atendimento a demandas internas da organização.
Em uma pesquisa realizada com 365 bancos norte-americanos durante a década de 1990, Damanpour e Gopalakrishnan (2001) identificaram que a taxa de adoção e a taxa de velocidade das inovações do produto foram maiores que a inovação em processo. Isso ocorreu porque a inovação em produto é mais fácil de ser observada, além disso, há uma percepção de que ela pode gerar mais vantagens do que as inovações em processo.
Numa atmosfera global de inovação contínua, a vantagem estratégica pode apenas advir daqueles que são líderes e não apenas de meros seguidores da mudança. A única forma de se tornar um verdadeiro líder da mudança pode ser alcançada através da inovação.
Todas as empresas precisam ser inovadoras. A realidade, contudo, é que a maior parte delas, particularmente as pequenas e médias, encontram dificuldades em compreender o conceito de inovação. Não sabem bem como usar os seus conceitos, imaginando que ela só se aplica às indústrias de alta tecnologia.
É importante ressaltar que existem muitas teorias acerca da inovação. Qual a sua definição, quais as suas principais características e seus diversos tipos, como implementá-la? A sociedade, até hoje, não alcançou consenso (e possivelmente nunca alcançará) sobre uma teoria única de inovação. A partir de então, será possível conhecer alguns conceitos acerca do assunto. Vamos adiante!
No dia a dia, a inovação é compreendida como criar algo que culmine no resultado desejado (SAKAR, 2007). A partir dessa afirmativa, há uma pluralidade de compreensão sobre esse procedimento. Para melhor compreensão, veja:
(…) a palavra “inovar” deriva do latim in+novare, que significa “fazer novo”, renovar ou alterar. De forma simples, inovação significa ter uma novaideia ou, por vezes, aplicar as ideias de outras pessoas em novidadesou de forma nova. (SAKAR, 2007, p. 115)
Dito isso, podemos esclarecer melhor que inovação significa o envolvimento da criatividade, de adaptação, de ideias novas com possibilidade de implementação e que gerem impacto.
Bessant e Tidd (2009) apresentam registros da fala de profissionais da GE, Apple e Microsoft sobre o que eles pensam sobre inovação. Estas falas são importantes, pois irão te ajudar a entender a importância do tema. Veja:
Estamos avaliando as lideranças da GE em relação a sua capacidade de Criação. Líderes criativos são os que têm coragem de financiar novas ideias liderar equipes para encontrar as melhores ideias e pessoas para assumir Ricos com maior preparo e método
(J. Immelt, presidente e Diretor-executivo da General Eletric).
(…) Sempre dizemos a nós mesmos: temos que inovar. Precisamos ser os Primeiros a nos superar (Bill Gates, Microsoft).
(…) A inovação é o divisor de águas entre um líder e um seguidor (Steve Jobs, Apple). (BESSANT; TIDD, 2009, p. 20)
Para o Manual Oslo (OCDE, 2005, p. 14), “(…)inovação é uma implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas”.
Se você observar com atenção essa definição, perceberá que ela é bem vasta e abrange o bem ou serviço que a empresa faz, sua forma de fazer (processo), sua forma de planejar e organizar o seu mercado, e até mesmo sua forma de cuidar da gestão.
Outro ponto importante a observar na definição do Manual Oslo é que a inovação é uma implementação de algo novo ou melhorado. Isto significa que inovação pode ser incremental ou radical.
Na visão de Simantob e Lipp (2003), existem vários conceitos de inovação, segundo várias personalidades. Sublinhamos dois teóricos muito conhecidos que podem ser muito úteis em nossa tarefa. O primeiro, Peter Drucker, da Universidade de Claremont, em seu livro, “Inovação e Espírito Empreendedor”, está escrito que inovação é:“(…) o ato que contempla os recursos com a nova capacidade de criar riquezas, sendo que não existe algo chamado de recurso até que o homem encontre uso para alguma coisa na natureza, e assim o dote de valor econômico” (DRUCKER, 1987, p. 39).
Na visão de Giovanni Dosi (Universidade de Pisa), inovação é a busca, a descoberta, a experimentação, o desenvolvimento, a imitação e a adoção de novos produtos, novos processos e novas técnicas organizacionais.
Entretanto, nota-se que, depois de Joseph Schumpeter, que foi o primeiro economista a falar de inovação na última década do século XX, conforme discutimos na Unidade 1, a inovação passou a ser reconhecida como um fator essencial para a competitividade das empresas.
Segundo Schumpeter,
A inovação está relacionada ao desenvolvimento econômico, sendo impulsionada pela criatividade quando há uma perturbação do equilíbrio, que altera e desloca para sempre o estado de equilíbrio previamente existente. Isso se chama destruição criativa
(SCHUMPETER,1984, p.54. Citado por BARBIEIRI, 2005, p. 14).
A “destruição criativa” gera movimento e crescimento na economia, e altera o estado de ânimo do empreendedor criativo e inovador.
Poderíamos, então, dizer que a inovação surgiu de um processo, evoluiu dos meios econômicos, sendo Joseph Schumpeter considerado o pai da inovação. Os investimentos das combinações de produtos e processos produtivos de uma organização influenciam diretamente no desempenho financeiro, de modo que o moderno empresário deve ocupar, simultaneamente, dois papéis de liderança: econômica e tecnológica.
Quantos produtos você conhece que poderiam ser considerados inovação?
Quer saber mais sobre isso?
O Manual de Oslo é uma fonte muito rica de informações referentes ao nosso tema alvo e recomendo a sua consulta.
Ele está disponível para download em: http://download.finep.gov.br/
imprensa/manual_de_oslo.pdf.
Pense nisso!
Como se pode perceber, a inovação consiste em colocar as ideias em prática, gerando novos produtos ou serviços. Melhorando processos ou criando novos modelos de negócio que levem à ofertas de valor ao mercado com sucesso.
Porém, não podemos confundir o conceito de inovação de Schumpeter com invenção. São dois conceitos complementares e diferentes, ao mesmo tempo. Há uma relação entre eles, distinções e desafios. Nem toda invenção transforma-se em inovação e nem toda inovação é proveniente de uma invenção. A inovação refere-se a uma ideia, método ou objeto que é criado, que pouco se parece com padrões anteriores. Há uma ruptura, pois algo novo surgirá e modificará antigos padrões.
A invenção é um ato de criar uma nova tecnologia, processo ou objeto. Está muito ligada ao protótipo, modelos, fórmulas e outros meios de registrar ideias. O ato de inventar, necessariamente, não responde ao conceito de inovar.
Como já mencionado anteriormente, a ação de inovar deve proporcionar um resultado concreto e aplicado. A inovação em qualquer situação cria novos valores, modifica comportamentos, interfere na economia, gera resultados e demanda aceitação de uma sociedade. A inovação gera impacto econômico e social!
Bessant e, Tidd e Pavvit (2008) classificam a inovação em quatro grupos:
– Inovação de produto: representada pela mudança de produtos e serviços que a empresa oferece aos consumidores.
– Inovação em processo: mudanças na forma em que os produtos/serviços são criados e entregues; inclui mudanças significativas nas tecnologias, equipamentos e logística.
– Inovação de posição: constituída por mudanças no contexto em que produtos e serviços são introduzidos.
– Inovação de paradigma: deriva de mudanças nos modelos mentais subjacentes que orientam o que a empresa faz.
Uma outra classificação da inovação é proposta por Clayton Christensem (2011), da Harvard Business School. De acordo com Christensen existem quatro tipos de inovação por estratégia: incremental, disruptiva, radical e aberta.
A inovação incremental é a que predomina na maioria das empresas. São pequenas, mas importantes mudanças que podem ser aplicadas em modelos de negócios, produtos e/ou serviços. Tem como objetivo modernizar um produto já existente e que já tem aceitação do mercado. O seu propósito é garantir o consumo já existente do produto, atrair novos consumidores, gerar lucro e garantir aos clientes, que já são consumidores do produto, conveniência e fidelização.
Podemos citar como exemplo de inovação incremental as indústrias de carros, que mantêm por anos uma marca no mercado. Entretanto, atualizam anualmente o produto com as tendências do momento.
Para os pesquisadores Davila, Epstein, Shelton (2007, p. 61),a inovações incrementais “(…) são uma maneira de extrair o máximo valor possível de serviços e produtos existentes sem a necessidade de fazer mudanças radicais e grandes investimentos financeiros”. Visa, pois, atender, através de melhorias, as necessidades dos clientes e aprimorar os processos e produtos atuais.
A inovação disruptiva tem como objetivo substituir o produto existente por outro mais moderno e atualizado. As empresas que ditam as tendências de diversos segmentos são exemplos de inovação disruptiva.
A inovação radical visa criar um novo conceito, com novos mercadose paradigmas. Segundo Davila, Epstein, Sheltpn (2007, p. 71),“(…) inovações radicais são, pela própria natureza, investimentos de pouca probabilidade de retorno”. Porém, é primordial uma avaliação detalhada e bem planejada de um investimento nesse tipo de inovação, pois os riscos são maiores do que na inovação incremental.
Um exemplo típico de inovação radical são os bancos − organizações financeiras. Eles têm passado por uma metamorfose ao longo dos anos utilizando máquinas de multi banco, fundos acessíveis em qualquer parte do mundo com a utilização do cartão de plástico apropriado.
A inovação aberta está ligada àquelas empresas que compram ou licenciam processos de inovação (patentes) no lugar de criar seus próprios produtos inovadores. Aqui, é preciso cultivar uma rede de inovação, além dos limites da organização.
De acordo com Chesbrough et al. (2006) a inovação aberta é definida como a utilização intencional tanto dos fluxos internos e externos de conhecimento com o objetivo de acelerar as inovações que acontecem internamente e expandir mercados por meio do seu uso externo. O paradigma da inovação aberta parte do pressuposto que as empresas podem e devem utilizar tanto conhecimento externo quanto interno para avançar no desenvolvimento de novas tecnologias. Isso implica em combinar ideias internas e externas em processos que ocorrem dentro de arquiteturas e sistemas.
A essência da inovação aberta consiste em reconhecer que o conhecimento está esparso e que os departamentos de Pesquisa Desenvolvimento devem ser capazes de identificar e conectar com as fontes de conhecimento externo como um dos processos centrais de inovação (CHESBROUGH et al. 2006, p.2).
A compreensão dos conceitos de inovação aberta podem ser representados por meio da figura 1. O lançamento dos projetos podem utilizar fontes internas e externas de tecnologia e conhecimento. Além disso, existem diversas formas para levar um tecnologia para o mercado, como: licenciamento e criação de spin-off corporativos.
Ao analisar o crescimento das pesquisas sobre o tema, Gassmann et al. (2010) identificou nove perspectivas que se encaixam dentro do contexto inovação aberta. Dentre elas é possível destacar a perspectiva do usuário, que envolve os usuários no processo de inovação, com o objetivo de compreender desde as fases iniciais do projeto as demandas latentes de potenciais clientes.
Já na perspectiva dos fornecedores tende a causar grande impacto nos processos de inovação, uma vez que empresas trabalham junto com o fornecedor com o objetivo de prover melhorias no desenvolvimento de produtos (GASSMANN et al. 2010).
Na perspectiva de processos Gassmann et al. (2010)destaca a existência de três processos principais que contribuem para a inovação aberta: de fora para dentro, de dentro para fora e a realização dos dois simultaneamente.
Por fim cabe destacar a perspectiva cultural, que sinaliza a necessidade de uma mudança na forma de ser pensar o processo de inovação que seja capaz de valorizar competências que tenham origem no contexto externos, bem como know-how que sejam essenciais para a prática da inovação.
Cabe ressaltar que o paradigma da inovação aberta surge em um primeiro momento em indústrias de desenvolvimento de produtos tecnológicos, contudo, observa-se forte demanda por inovação no setor de serviços (GASSMANN et al. 2010).
FLEX FUEL AO FLEX START®: INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E MERCADOLÓGICA NA BOSCH.
O mercado automotivo brasileiro lidera as iniciativas mundiais de utilização de combustíveis renováveis e o etanol está consolidado na matriz de combustíveis do país.
Líder mundial no fornecimento de tecnologia de ponta automotiva, o Grupo Bosch tem no Brasil seu Center ofCompetence mundial em sistemas a etanol.
Como evolução do Flex Fuel, o Center ofCompetence brasileiro desenvolveu o Flex Start®, tecnologia que proporciona aos carros flex abastecidos com etanol maior eficiência na partida a frio em baixas temperaturas. Com isso, a Bosch introduziu mundialmente um novo conceito de sistema de partida a frio nos veículos flex.
O Brasil é o único mercado onde os carros conseguem rodar com 100% de etanol. Dentro da Bosch, isso requer que a engenharia brasileira seja capaz de desenvolver avanços na tecnologia Flex Fuel de modo independente da matriz – como ocorreu com o Flex Start®.
A empresa possui 264 fábricas instaladas globalmente, o Grupo Bosch é o maior fornecedor de tecnologia automotiva de ponta do mundo. Esse segmento representa a maior parte do faturamento do grupo (59%), que é também um líder mundial em outros três segmentos: tecnologia industrial; energia e tecnologia predial; e bens de consumo. Em 2012, seu faturamento totalizou 52.5 bilhões de euros.
O projeto em questão tinha algumas características relevantes:
A utilização do etanol como combustível traz algumas vantagens, como: ganhos na eficiência e redução na emissão de poluentes. Contudo, quando o abastecimento era realizado com 100% de etanol e a temperatura estava abaixo de 15 graus era necessário um reservatório auxiliar de gasolina no compartimento do motor.
Além disso a dirigibilidade era ruim abaixo de 18 graus (engasgos, falta de respostas ou afogamento. Os engenheiros da Bosch começaram a pensar em aquecer o etanol para resolver o problema.
O que chama atenção neste caso é aplicação do conceito de inovação aberta. A concepção e o desenvolvimento ficaram a cargo da equipe de engenheiros da Bosch no Brasil.
O desenvolvimento passou pela fase prova de conceitos;
A cada avanço técnico significativo a empresas entrava com pedido de patente com o objetivo de preservar o conceito funcional e a propriedade intelectual da inovação.
Colaboradores externos na fase de desenvolvimento:
Os resultados foram:
A inovação aberta é altamente colaborativa, pressupondo-se que o conhecimento para inovar encontra-se em qualquer lugar da rede de colaboradores de empresas e no mundo globalizado. Aqui, tem-se um diálogo de escuta e atenção com todos os “stakeholders”, isto é, os públicos interessados no negócio da organização. Existe um intercâmbio, um trabalho participativo em redes para a definição dos próximos passos e dos negócios das empresas. Empregados capacitados são considerados um recurso-chave de uma empresa inovadora aberta, com uma equipe de gestão eficiente, aumentando a capacidade de atendimento das necessidades dos clientes.
É possível perceber que, depois que você fez uma viagem pelos conceitos de inovação com todas as suas características abordadas, para que inovação torne-se vantagem competitiva, é fundamental equilibrar os modelos de inovação estudados. Far-se-á necessário, igualmente, avaliar o retorno, de modo que cada um possa oportunizar os negócios e as suas necessidades.
Davila, Tidd e Bessant afirmam que a única forma de uma empresa garantir seu futuro e perenidade é inovar, e ser mais adaptável ao ambiente por meio da mudança. Veja a afirmativa de Davila, Epsteins e Shelton, que corroboram com a ideia de Bessant e Tidd:
o processo de inovação deve ser contínuo uma vez que a tendência diante de um feito de sucesso é que a concorrência tente a imitação. Desta forma, um feito inovador deve ser constantemente aprimorado ou ampliado ou mesmo arriscar novas abordagens(BESSANT; TIDD, 2008, p. 26).
O que você pode perceber na citação anterior é que, embora as empresas possam adotar formas semelhantes de inovação ou imitação de produtos, o resultado final dessa estratégia poderá ser diferente, pois os processos e conhecimentos fazem parte de uma cultura e são diferentes, muito peculiares a cada empresa e a pessoas. Portanto, a competitividade será diferente para cada organização:
(…) como cada organização tem uma combinação exclusiva e específica de estratégia da inovação, organização, processos, cultura, indicadores de desempenho e recompensas, os produtos de inovação de cada uma delas serão igualmente diferentes. Aquilo que a Apple desenvolve nunca sairia das linhas de produção da Dell ou da IBM. Cada empresa cria seu próprio tipo de inovação mediante o acrescimento de toques especiais (por exemplo, cultura, conhecimento específico recompensas diferenciadas) (DAVILA, EPSTEIN, SHELTON, 2007, p. 27).
Percebe-se que não há como separar a
inovação do conhecimento, pois inovar é “criar novas possibilidades por meio de
combinações de diferentes conjuntos de conhecimentos” (TIDD, BESSANT, PAVITT,
2008, p. 35).
Agora, convido-o a lembrar dos pontos-chave de nosso estudo. A inovação é um processo contínuo, no qual uma nova ideia é criada e transformada em um conceito para implantar um produto ou serviço novo, com o objetivo de melhorar a vida das pessoas. Voltemos aos quatro tipos principais de inovação: produto, processo, posição e paradigma. Pare e pense um pouco sobre eles e retorne à figura “Tipos de inovação por estratégias”, estabelecendo os conceitos.
Em seguida, faça o esforço para relembrar-se dos quatro tipos de inovação estratégica: a incremental, disruptiva, radical e aberta. Pense um pouco que a inovação não se encontra somente nas grandes empresas industriais do planeta ou do Brasil, em que oferecem grandes tecnologias para o mundo. Quaisquer empresas ou pessoas podem ser inovadoras. A inovação não é exclusividade das grandes organizações. Você é um terreno fértil para a inovação!
Microsoft e Universidade de Washington conseguem armazenar dados em DNA – 200 MB de arquivos, incluindo um vídeo em HD, foram gravados em um material sintético.
Armazenar arquivos está cada vez mais prático. CDs e DVDs, que há algum tempo eram tão usados, agora perdem, gradativamente, espaço para pendrives e cartões de memória. A evolução segue possibilitando o armazenamento de mais informações em menores equipamentos. A prova disso é que a Microsoft e a Universidade de Washington conseguiram guardar 200 megabytes de arquivos em uma DNA sintético.
A conquista representa um passo importante na capacidade de armazenamento existente. Empresas, por exemplo, com grandes bancos de dados, poderão armazenar essas informações de forma duradoura, se mantidos em boas condições. “O DNA é uma molécula de armazenamento de informação surpreendente que codifica os dados sobre como um sistema vivo funciona. Estamos redirecionando esta capacidade para armazenar dados digitais – imagens, vídeos, documentos”, disse Luis Ceze, brasileiro membro da equipe de pesquisa.
Os pesquisadores armazenaram um videoclipe em alta definição da banda Ok GO, cópias da Declaração Universal dos Direitos Humanos em diversos idiomas, os 100 livros mais populares do Projeto Gutenberg e o banco de dados de sementes da Crop Trust. “O objetivo é desenvolver um sistema completo de armazenamento de dados em DNA, mais denso, duradouro e barato”, explica Ceze.
Os dados foram convertidos do sistema binário em letras que correspondem às quatro bases do nucleotídeo de uma cadeia de DNA: A, de adenina, que se liga com T, de timina; e C, de citosina; G, que se liga ao G, de guanina. Esses pares criam uma correspondência com zeros e uns, permitindo a conversão e leitura das informações. Esses dados são enviados para a empresa Twist Bioscience que traduz as letras para moléculas e envia o material de volta para os pesquisadores em um tubo de ensaio.
A previsão da Microsoft é que seja possível gravar 1 bilhão de terabytes de dados em um grama de DNA, o que permitiria armazenar toda a internet existente nos dias de hoje.
Fonte: Marina Demartini. http://exame.abril.com.br/tecnologia/
noticias/microsoft-consegue-armazenar-videos-e-livros-em-dna-humano. Acesso: 28/07/2016
Ler o Livro: “A nova era da Inovação” de C.K. Prahalad e M.S. Krishnan. O livro traz uma visão moderna e aberta sobre o processo de inovação nas grandes corporações do mundo moderno.
Nessa unidade discutimos o conceito de inovação, a sua importância nas empresas e na vida pessoal. Também aprofundamos os quatro tipos de inovação: produto, processo, posição e paradigma. Conhecer os quatro tipos de inovação é de importância vital para as pequenas empresas serem mais prósperas e terem sucesso.
A inovação incremental é a que predomina na maioria das empresas. São pequenas, mas importantes mudanças que podem ser aplicadas em modelos de negócios, produtos e/ou serviços. O seu objetivo é melhorar o já existente, sendo voltado para o mercado concorrente.
A inovação disruptiva refere-se às empresas iniciantes no mercado, com um custo menor, com mais simplicidade e com performance em produtos estabelecidos.
A inovação radical visa a criar um novo conceito, com novos mercados e paradigmas.
A inovação aberta, em que é preciso cultivar uma rede de inovação, além dos limites da organização. Esse tipo de inovação busca encontrar as pessoas certas e procura integrar descobertas científicas de forma inovadora. O seu papel fundamental é fomentar o trabalho colaborativo entre todas as partes envolvidas no processo.
Também foi traçado o caminho para você começar a ser inovador. Basicamente, gerir um negócio inovador é colocar em prática algumas características que são próprias do empreendedor, tais como: criatividade, ousadia, capacidade de correr riscos calculados, entre outras. Espera-se, portanto, que essa unidade, possa ter inspirado você, aluno, a fazer a diferença na sua vida pessoal e na sua empresa.
Assista aos vídeos desta Unidade e aprofunde mais sobre o assunto:
Parte 1
Parte 2