Introdução ao Empreendedorismo

CONCEITO E EVOLUÇÃO DO EMPREENDEDORISMO

Você já escutou falar na palavra empreendedorismo? Caso positivo, acredito que você, como a maioria das pessoas associa empreendedorismo à abertura de um novo negócio. Entretanto, com a leitura desta unidade você irá compreender o conceito de empreendedorismo é muito mais amplo.

O empreendedorismo gera impacto tanto na vida das pessoas quanto no contexto de nações, sendo que muitas vezes é tratado como uma solução capaz de gerar crescimento econômico, criação de novos postos de trabalho, integração social e desenvolvimento individual (DRUCKER, 1985).

Isso acontece porque toda vez que alguém descobre uma oportunidade de negócio, faz um bom planejamento e cria uma empresa bem-sucedida, isso gera pagamento de impostos, criação de novos postos de trabalho, movimentação da cadeia de produtiva e consequentemente impacto econômico para um país.

Veja o exemplo do Beleza Natural, que é um empreendimento da Zica Assis, uma ex babá e faxineira e da Leila Velez, uma ex-funcionária do Mc Donalds que juntas com mais um sócio criaram na década de 1990, no bairro da Tijuca (RJ) um conceito de salão de beleza inovador, voltado para cabelos crespos e cacheados. Hoje, a rede possui 45 lojas no Brasil e uma em Nova York (EUA). Você consegue imaginar a quantidade de postos de trabalho que um empreendimento como este é capaz de gerar?

Figura 1 - Equipe Beleza Natural

Fonte: https://belezanatural.com.br/quem-somos/

Antes de prosseguirmos, é importante chamarmos atenção para dois conceitos que mostram o que motiva os empreendedores a tirar uma ideia do papel e montar ume novo negócio: empreendedorismo por oportunidade e por necessidade.

O empreendedorismo por necessidade é aquele que ocorre quando uma pessoa opta por montar um empreendimento por não ter outra opção de trabalho. Via regra não há uma preparação inicial, não há um levantamento de qual seria o público atendido pela nova empresa, tão pouco um planejamento elemento de como o negócio irá funcionar. Este tipo de empreendimento, na sua grande maioria acaba não gerando bons resultados e em muitos casos eles acabam fechando as portas depois de pouco tempo (DORNELAS, 2008).

Por outro lado, existem pessoas que optam por ser empreendedoras. Neste caso
 elas identificam uma oportunidade, fazem um estudo de mercado, elaboram um planejamento, mesmo que seja básico para nortear a criação do novo negócio. Isso não garante o sucesso do empreendimento. Entretanto, os índices de sobrevivência deste tipo de empreendimento são superiores ao empreendedorismo por necessidade (DORNELAS, 2008).

Para toda regra existe exceção, entretanto, os empreendedores por oportunidade geram mais impacto econômico positivo para a economia do que empreendedores por necessidade. Resultados positivos, só são possíveis de serem visualizados quando indivíduos são capazes de encontrar e explorar oportunidades lucrativas e isso ocorre na maioria dos casos com pessoas bem preparadas (HISRICH;PETERS, SHEPHERD, 2014).

Isso aconteceu com os fundadores do Airbnb, que foi criado em 2008 por três estudantes de design Nathan Blecharczyk, Brian Chesky e Joe Gebbi.  Eles moravam em São Francisco, Califórnia, quando descobriram uma ótima oportunidade para empreender.  Havia uma conferência na cidade e a maioria dos hotéis estava como capacidade máxima. Foi aí que eles decidiram locar dentro do apartamento que eles moravam. Eles conseguiram alugar três colchões para três perfis de pessoas muito distintos e tiveram uma ótima interação com seus hospedes. Atualmente a empresa tem opções de apartamento em mais de 81 mil cidades em mais de 191 países.  Só no Brasil, são mais de 180 mil acomodações anunciadas, que geram renda extra para muitos Brasileiros. 

Figura 2 - Fundadores da AIRBNB

Fonte: https://exame.abril.com.br/negocios/hoteis-nao-precisam-se-preocupar-tanto-com-airbnb-segundo-m/

Além disso, o empreendedorismo é capaz de identificar e corrigir ineficiências de mercado e incentivar a melhoria de produtos e processos por meio da competitividade (BAUM; FRESE; BARON, 2014;  KIRZNER, 2015).  Veja por exemplo o que aconteceu quando os serviços do Uber começaram a ser ofertados em diversas cidades pelo mundo. Os serviços de taxi tiveram que buscar inovação para não perder tanto espaço. Após a criação do Uber surgiram novos aplicativos o que acirrou ainda mais a concorrência.

Apesar do empreendedorismo ser objeto de pesquisa há muito tempo, ainda existem diversas correntes teóricas que abordam empreendedorismo de forma multifacetada com influência de diversas áreas de conhecimento ( LANDSTROM, 2007;  SHANE, S.; VENKATARAMAN, 2000). É interessante notar que a diversidade de definições para o termo empreendedorismo não gera uma concorrência entre elas, pois elas são complementares, sendo que cada uma delas enfatiza diferentes características para o mesmo fenômeno (BAUMOL, 1993)

Para sua melhor compreensão, iremos dividir o conceito de empreendedorismo em três partes: visão dos economistas, dos pesquisadores da área comportamental (psicólogos) e dos pesquisadores da gestão, que tentam melhor delimitar o empreendedorismo como campo de pesquisa. 

Entretanto, antes de você estudar estas correntes teóricas que irão ser muito úteis para que você compreenda o que é empreendedorismo.

VISÃO DOS ECONOMISTAS

Considerado um dos pioneiros a conceituar empreendedorismo, Richard Cantillon foi um economista que viveu entre 1680 e 1734, e que era o que, nos dias de hoje, pode-se chamar de investidor de risco. Naquela época,  reconhecido como um banqueiro (FILION, 1999;  HÉBERT; LINK, 2006), Cantillon era um homem sempre em busca de novas oportunidades de negócios, ele se interessava em fazer uma boa gestão do seus empreendimentos com o objetivo de garantir retornos financeiros (FILION, 1999).

Cantillon definia o empreendedor como uma figura central na Europa do século XVIII, que servia como intermediário entre os donos de grandes pedaços de terras e os contratados.  Os donos de terras estabeleciam padrões de consumo de acordo com seus gostos. Contudo, o processo produtivo ficava sobre a responsabilidade tanto dos empreendedores, que corriam riscos do mercado, como do processo de produção e
distribuição (HÉBERT e LINK, 2006).

Jean-Baptiste Say também apresentou contribuições relevantes sobre os conceitos iniciais do empreendedorismo. Ele acreditava que a criação de novos negócios seria capaz de gerar desenvolvimento econômico. Além disso, Say já fazia a diferenciação entre empreendedores e capitalista e como cada um deles receberia o retorno a financeiro a que tinham direito (FILION, 1999).

O que faz com que as publicações de Say tenham tanta relevância até os dias de hoje é o fato de que ele constatou que os empreendedores eram capazes de promover mudanças, eram, portanto, inovadores e deslocavam recursos de áreas de baixa produtividade para áreas de alta produtividade. Dessa forma, ele é considerado o primeiro autor a sistematizar o que é o empreendedorismo na visão moderna do termo (FILION, 1999;  REYNOLDS; CURTIN, 2011).

Embora a criação de organizações faça parte integral da história da humanidade, atenção específica às novas empresas comerciais teve início com Say (1816), que descreveu as atividades de pessoas que realizavam atividades de entretenimento, de modo temporário, como empreendedor. Hoje, esses profissionais seriam chamados de produtores. Na França, pessoas que gerenciam projetos de forma temporária, seja na área de construção ou comercial, ainda são chamados de empreendedores.  (REYNOLDS e CURTIN, 2011).

Tanto Cantillon quanto Say tinham em suas definições os empreendedores como pessoas dispostas a assumir riscos, tendo em vista que utilizavam recursos próprios na consecução de empreendimentos (FILION, 1999).
Seguindo ainda a corrente dos economistas, é necessário dar destaque para os trabalhos de Schumpeter (1939) que desenvolveu a Teoria da Destruição Criativa. O autor dissertou sobre o impacto da inovação de produtos que trazem como consequência a destruição de empresas e modelos de negócios que não inserem a inovação em suas práticas organizacionais. Neste contexto, o empreendedorismo como o principal elemento para o desenvolvimento da economia evidencia o empreendedor como um agente de mudança, responsável pela inovação e esta, por sua vez, como a grande responsável pelo constante progresso econômico. O empreendedor é definido como:

Uma pessoa que deseja e é capaz de converter uma nova ideia ou invenção em uma inovação bem-sucedida e sua principal tarefa é a “destruição criativa”, a qual se dá através da mudança, ou seja, através da introdução de novos produtos ou serviços em substituição aos que eram utilizados (SHUMPETER, 1982, p.26).

O que sustenta a destruição criativa é o conceito de desequilíbrio dinâmico apresentador por SCHUMPETER (1939), que é o resultado da ação do empreendedor inovador, que promove uma ruptura com o modelo econômico da sua época, focado no equilíbrio e na otimização. Dessa forma, segue-se a lógica do capitalismo, que foi delineado como um processo evolucionário, tendo em vista que ele é um instrumento de mudança econômica, portanto jamais poderá ser estacionário, conforme previsto pela teoria neoclássica.

Veja um exemplo para compreender melhor o conceito de destruição criativa. A locadora de vídeos Blockbuster, de acordo com reportagem publicada pelo site de negócios Infomoney já teve mais de 9 mil lojas espalhadas pelo mundo. Contudo, nos dias de hoje, a empresa possui apenas uma loja no interior do Oregon, nos Estados Unidos.

O que levou à queda do império Blockbuster?  O surgimento de plataformas online de vídeos como Netflix e Prime Vídeos fez com que locadoras de vídeos físicas perdessem seu valor. Afinal de contas, é muito mais cômodo ter um serviço de assinatura ou alugar filmes online sem sair de casa.  Estre processo que aconteceu com a Blockbuster é considerado um bom exemplo de destruição criativa.

Figura 3 - Blockbuster

Fonte: Shutterstock

LEITURA COMPLEMENTAR

Para saber mais sobre a ascensão e queda a Blockbuster, leia a reportagem publicada no site Infomoney: 

Acesse o link: https://www.infomoney.com.br/negocios/
grandes-empresas/noticia/7984238/de-9-mil-lojas-para-apenas-1-a-ascensao-e-a-queda-do-imperio-blockbuster

De acordo com Schumpeter (1939), o estímulo estratégico para a economia é a inovação, definida como a aplicação comercial ou industrial de algo novo. Isso envolve novos produtos, métodos de produção, processos, novos mercados ou fornecedores, bem como novas formas de negócios ou de financiar uma organização. Isso significa que as inovações contribuem para o processo de desenvolvimento econômico, uma vez que elas são capazes de gerar o consumo de produtos que até então não existiam. Isso significa que novos produtos e serviços são capazes de alterar as características de gastos dos trabalhadores (TIGRE, 2014).

Um dos pontos chaves da teoria de Schumpeter (1939) é a concepção de que o capitalista busca lucros extraordinários, que dificilmente serão alcançados por produtos ou serviços tradicionais.

Sendo assim, a inovação atrai a atenção de investidores pela possibilidade de ganhos acima da média, por meio da introdução de novos produtos no mercado.

Portanto, a destruição criativa é algo inerente ao capitalismo. Ela causa enormes mudanças na estrutura econômica interna, destruindo o antigo e criando algo inteiramente novo (SCHUMPETER, 2003).

Agora, acho que será mais fácil você compreender o conceito de empreendedorismo, com uma perspectiva dos economistas. Baseado nas ideias Schumpeter (1939), Baron e Shane (2007, p 7) destacam que “o empreendedorismo requer a criação ou o reconhecimento de uma aplicação comercial para uma coisa nova”..

É importante observar que, na literatura, é possível encontrar dois grandes usos para o termo empreendedor. O primeiro deles serve para descrever pessoas que criam e optam por gerenciar novas empresas, sem que haja nenhum tipo de inovação envolvida no novo empreendimento.  O segundo termo está associado à ideia de que o empreendedor é inovador, dessa forma, ele é capaz de transformar ideias e invenções e soluções comerciais que sejam viáveis economicamente, sem necessariamente operar a empresa. O primeiro caso, está fortemente associado as ideias de Cantillon e Say, já o segundo está atrelado à teoria de Schumpeter (BAUMOL, 1993).

Por fim, cabe ressaltar que o início do empreendedorismo foi marcado pelos trabalhos de economistas como Cantillon, Say e Schumpeter. Contudo, a partir do século XX o interesse sobre o tema se espalhou em diversas disciplinas acadêmicas, principalmente da área da psicologia e da gestão.

VISÃO COMPORTAMENTAL

Uma nova concepção do termo empreendedorismo surgiu com pesquisas originadas no campo da Psicologia, tendo como referência os trabalhos de David Mc Clelland, a partir da década de 1960. Sob este ponto de vista, o empreendedor é definido com base nos seus traços de personalidade. (FILION, 1999).

A atenção central das publicações do Mc Clelland (The Achieving SocietyMotivating Economic Achievement) era na identificação e treinamento de empreendedores com alta motivação de realização, o que deu origem à abordagem dos traços (BAUM et al., 2014). Entretanto, poucas pesquisas realizadas posteriormente geraram avanços significativos nesta área, sendo incapaz de predizer resultados e ações dos empreendedores. Além disso, a abordagem dos traços sofreu críticas de diversos pesquisadores (ALDRICH; WIEDENMAYER, 1993;  DRUCKER, 1985;  GARTNER, 1989).

As pesquisas com foco em traços de personalidade tiveram poucos avanços entre as décadas de 1960 e 1990. Tal fato é estranho, uma vez que de acordo com pesquisa realizada com diversos investidores de risco, alguns traços pessoais estão entre os principais motivos para o sucesso do empreendimento (SEXTON, 2001).

De acordo com Drucker (1985) os empreendedores são uma parcela pequena entre os proprietários de novas empresas. Eles são diferentes, tendo em vista a capacidade que eles possuem de criar algo novo com potencial para gerar valor. Entretanto, essas características distintas que os empreendedores possuem não são traços da personalidade, mas sim com comportamentos que podem ser aprendidos.

Para Gartner (1988), a atenção das pesquisas nos traços e características dos empreendedores não é capaz de contribuir para uma definição de quem é o empreendedor e por isso não é relevante para o entendimento do empreendedorismo. O autor sugere a transição da abordagem dos traços para a abordagem comportamental.

Dessa forma, ao contrário do que acontece na abordagem dos traços, a organização passa a ser o nível primário de análise e os empreendedores são vistos com base nas atividades que realizam para a criação da empresa. 

Embora não se possa negar o impacto de recursos externos e a escassez de recursos no processo de concepção e gestão das organizações, a criação e sobrevivências das empresas está diretamente relacionada às decisões e às ações realizadas pelos empreendedores. Sendo assim, é impossível negar que as características pessoais dos empreendedores são relevantes para o sucesso das organizações e é dentro deste contexto que surge a necessidade de pesquisas na área da Psicologia do Empreendedorismo (BAUM; FRESE, 2012).

As pesquisas oriundas da psicologia ganharam um novo viés como objetivo de identificar características pessoais mais genéricas que servem como preditores de sucesso dos empreendedores. Essas pesquisas têm como foco competências, cognição, e comportamento e estão apoiados em modelos mais complexos e ferramentas permitem identificar a causalidade dos fenômenos (BAUM e LOCKE 2004).

A cognição empresarial também é um tema explorado pelos autores que trazem a visão da Psicologia para o empreendedorismo. Mitchell et al. (2002, p.28) definem cognição empresarial como a “estrutura de conhecimento que as pessoas utilizam para fazer avaliação, julgamentos ou decisões envolvendo análise de oportunidades e geração de risco e crescimento.” De acordo com os autores uma questão central é identificar “Como os empreendedores pensam”? Essa pergunta contribui para o melhor entendimento de como as pessoas geram riquezas por meio da exploração de oportunidades.

Desta forma, podemos apresentar uma segunda visão do empreendedorismo centrada na perspectiva comportamental. De acordo com Filion (1999, p.19), o empreendedor é uma pessoa criativa, marcada pela capacidade de estabelecer e atingir objetivos e que mantem alto nível de consciência do ambiente em que vive, usando-o para detectar oportunidades de negócios e para tomar decisões moderadamente arriscadas, que objetivam a inovação.

Uma nova concepção do termo empreendedorismo surgiu com pesquisas originadas no campo da Psicologia, tendo como referência os trabalhos de David Mc Clelland, a partir da década de 1960. Sob este ponto de vista, o empreendedor é definido com base nos seus traços de personalidade. (FILION, 1999).

A atenção central das publicações do Mc Clelland (The Achieving SocietyMotivating Economic Achievement) era na identificação e treinamento de empreendedores com alta motivação de realização, o que deu origem à abordagem dos traços (BAUM et al., 2014). Entretanto, poucas pesquisas realizadas posteriormente geraram avanços significativos nesta área, sendo incapaz de predizer resultados e ações dos empreendedores. Além disso, a abordagem dos traços sofreu críticas de diversos pesquisadores (ALDRICH; WIEDENMAYER, 1993;  DRUCKER, 1985;  GARTNER, 1989).

As pesquisas com foco em traços de personalidade tiveram poucos avanços entre as décadas de 1960 e 1990. Tal fato é estranho, uma vez que de acordo com pesquisa realizada com diversos investidores de risco, alguns traços pessoais estão entre os principais motivos para o sucesso do empreendimento (SEXTON, 2001).

De acordo com Drucker (1985) os empreendedores são uma parcela pequena entre os proprietários de novas empresas. Eles são diferentes, tendo em vista a capacidade que eles possuem de criar algo novo com potencial para gerar valor. Entretanto, essas características distintas que os empreendedores possuem não são traços da personalidade, mas sim com comportamentos que podem ser aprendidos.

Para Gartner (1988), a atenção das pesquisas nos traços e características dos empreendedores não é capaz de contribuir para uma definição de quem é o empreendedor e por isso não é relevante para o entendimento do empreendedorismo. O autor sugere a transição da abordagem dos traços para a abordagem comportamental.

Dessa forma, ao contrário do que acontece na abordagem dos traços, a organização passa a ser o nível primário de análise e os empreendedores são vistos com base nas atividades que realizam para a criação da empresa. 

Embora não se possa negar o impacto de recursos externos e a escassez de recursos no processo de concepção e gestão das organizações, a criação e sobrevivências das empresas está diretamente relacionada às decisões e às ações realizadas pelos empreendedores. Sendo assim, é impossível negar que as características pessoais dos empreendedores são relevantes para o sucesso das organizações e é dentro deste contexto que surge a necessidade de pesquisas na área da Psicologia do Empreendedorismo (BAUM; FRESE, 2012).

As pesquisas oriundas da psicologia ganharam um novo viés como objetivo de identificar características pessoais mais genéricas que servem como preditores de sucesso dos empreendedores. Essas pesquisas têm como foco competências, cognição, e comportamento e estão apoiados em modelos mais complexos e ferramentas permitem identificar a causalidade dos fenômenos (BAUM e LOCKE 2004).

A cognição empresarial também é um tema explorado pelos autores que trazem a visão da Psicologia para o empreendedorismo. Mitchell et al. (2002, p.28) definem cognição empresarial como a “estrutura de conhecimento que as pessoas utilizam para fazer avaliação, julgamentos ou decisões envolvendo análise de oportunidades e geração de risco e crescimento.” De acordo com os autores uma questão central é identificar “Como os empreendedores pensam”? Essa pergunta contribui para o melhor entendimento de como as pessoas geram riquezas por meio da exploração de oportunidades.

Desta forma, podemos apresentar uma segunda visão do empreendedorismo centrada na perspectiva comportamental. De acordo com Filion (1999, p.19), o empreendedor é uma pessoa criativa, marcada pela capacidade de estabelecer e atingir objetivos e que mantem alto nível de consciência do ambiente em que vive, usando-o para detectar oportunidades de negócios e para tomar decisões moderadamente arriscadas, que objetivam a inovação.

Pesquise empreendedores(as) de sucesso e em seguida responda:

– Ele(a)s são pessoas criativas?

– Ele(a)s são capazes de estabelecer objetivos? 

– Será que ele(a)s possuem características que nos permitem identificá-los como sendo empreendedores de sucesso?

Poste sua pesquisa em nosso Fórum e veja quem seus colegas indicaram como grandes empreendedores.

Um dos empreendedores mais conhecidos na atualidade é o Elon Musk. 

Figura 4 - Elon Musk na SPACE X

Fonte: https://exame.abril.com
.br/revista-exame/nao-basta-ser-visionario/

Ele é fundador de diversas empresas extremamente inovadoras, dentre elas a Tesla Motors, a Space X e a SolarCity. Você já ouviu falar de algumas delas?! Se sim, está em ótimo caminho. Agora, se você não sabe o que elas fazem ainda dá tempo de pesquisar.

INDICAÇÃO DE VÍDEO

Vamos lá! Para saber mais, acesse o vídeo a seguir: 

https://www.ted.com/
talks/elon_musk_the_
future_we_re_building_and_boring?language=pt-br

VISÃO DA GESTÃO

A partir do final da década de 1990, surge uma nova linha de discussão sobre o tema.  Alguns autores buscaram delimitar o empreendedorismo e torná-lo um campo de pesquisa que pudesse caminhar de forma independente das premissas da gestão estratégica e outras áreas de conhecimento.

A maioria das publicações sobre o tema definem o empreendedorismo de acordo com as características do empreendedor e da forma como eles agem. De acordo com Ventakaran (1997) este tipo de abordagem é inconsistente, uma vez que o empreendedorismo é composto de dois polos: (i) a presença de oportunidades que possam gerar lucratividade, e (ii) a presença de um indivíduo empreendedor.

Além disso, nota-se que definições do empreendedor como a pessoa que cria uma organização, como de Gartner (1988), são limitadas, tendo em vista que não comtemplam a qualidade das oportunidades que diferentes pessoas são capazes de identificar (SHANE e VENTAKARAN, 2000).

O ponto central no artigo a “Promessa” é a concepção de que o empreendedorismo envolve a identificação de oportunidades, bem como o seu processo de descoberta, avaliação e exploração. Soma-se a isso o fato de que também é necessário analisar o conjunto de indivíduos que identificam a oportunidade, que a avaliam e que a exploram (SHANE e VENKATMARAN, 2000).

As oportunidades são definidas como situações nas quais novos produtos, serviços, matérias primas e métodos podem ser comercializados por um valor maior do que o seu custo de produção (SHANE e VENKATMARAN, 2000). De acordo com Shane (2012), a palavra “pode”, contida no conceito, tem grande relevância, uma vez que, caso o empreendedor faça uma combinação correta dos recursos que possui, ele terá lucratividade com a comercialização do produto, se ele agir de modo contrário, ele não alcançará os resultados desejados.

De acordo com Venkataraman e Sarasvathy (2000), oportunidade é definida como a criação de um artefato econômico, voltado para o futuro, que envolve tanto o lado da demanda quanto o lado da oferta.  Além disso, a oportunidade empresarial possui duas categorias que ajudam na sua melhor compreensão: (1) crença sobre o futuro; (2) ações baseadas nessas crenças.

As oportunidades não surgem por acaso ou sorte, pelo contrário, elas fazem parte das atividades humanas realizadas de forma consciente. O papel do empreendedor reflete em um esforço contínuo e deliberado em utilizar os resultados das suas ações em produtos ou serviços que possam ser explorados em novos mercados (VENKATMARAN e SARASVATHY, 2000).

É importante destacar que oportunidades empresariais e ideias de negócios possuem significados diferentes. A oportunidade é representada por um contexto no qual recursos podem ser combinados e recombinados com o objetivo de promover a obtenção de lucro. Já as ideias de negócio são apenas interpretações realizadas pelo empreendedor a respeito da recombinação de recursos e de como correr atrás da oportunidade identificada. Isso significa que a oportunidade é algo objetivo, já a ideia de negócio não (SHANE, 2010).

Uma história que vale a pena ser conhecida é do Robson Shiba, criador da franquia Chine in Box. Ao contar a sua trajetória empreendedora ele destaca que ele enxergou uma oportunidade de negócio, quando estava na faculdade, cursando odontologia e foi fazer um intercâmbio nos Estados Unidos. Ao observar alguns policiais comendo comida chinesa na caixinha lá, ele teve a ideia de trazer este conceito para o Brasil. 

Antes de montar o restaurante, ele fez pesquisas e pensou sobre a marca. Ele teve uma ideia, identificou que ela era uma oportunidade e a explorou de forma bem-sucedida.

INDICAÇÃO DE VÍDEO

Veja o Day 1 do Robson Shiba para compreender, e ele irá contribuir para que você compreenda o conceito de descoberta de oportunidade: 

https://endeavor.org.br/
desenvolvimento-pessoal/acredite-em-voce-sempre-day1-robinson-shiba/b

A literatura, de uma maneira geral, apresenta a oportunidade como algo já existente e que o papel do empreendedor é ficar alerta ou encontrar algum caminho que o leve a descobri-la. Contudo, na visão de Venkataraman e Sarasvathy (2000), as oportunidades devem ser criadas por meio de imaginação empresarial e aspirações humanas, de modo que possam resultar em produtos e mercados.

Dessa forma, podemos dizer que parte da literatura defende o argumento de que as oportunidades já existem, portanto, caso você queira se tornar um empreendedor, você deve identificá-la e explorá-la. Entretanto, a segunda corrente, formada por Venkataraman e Sarasvathy (2000) defende que as oportunidades podem ser criadas.

Uma metáfora comumente utilizada para a explicar a oportunidade como fenômeno objetivo (como algo já existente) é a de George Malloy, famoso alpinista britânico. Ao ser questionado por repórteres em Nova Iorque sobre a sua motivação para escalar o Monte Everest, ele respondeu “Por que ele está lá” (ALVAREZ e BARNEY, 2000).

Figura 5 - Monte Everest

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Everest

Tratar a oportunidade como um fenômeno objetivo, assim como o Monte Everest, tem uma série de implicações.  A atividade realizada pelo empreendedor que busca o sucesso está diretamente relacionada à descoberta das oportunidades.  Isso pode ser realizado por meio da utilização de todas as técnicas possíveis de levantamento de informação e pela exploração das oportunidades. Com a utilização de diversas estratégias, o empreendedor tentará, antes de outras pessoas, chegar à descoberta e exploração das oportunidades com potencial lucrativo (ALVAREZ e BARNEY, 2000).

Contudo, ao tratar a oportunidade como fenômeno subjetivo, a metáfora que envolve Malloy e o Everest sofreria uma pequena mudança. Ao invés de descobrir a montanha, ele terá que construi-la. Dessa forma, as oportunidades passariam a ser vistas em decorrência da capacidade de criação, não da descoberta. Para os empreendedores criarem uma oportunidade é necessário que eles se envolvam em um processo de aprendizado criativo, capaz de direcioná-los para a formação de uma oportunidade (ALVAREZ e BARNEY, 2000).

Para a teoria da descoberta, o empreendedor deve ter grande atenção para desenvolver um plano de negócios extremamente completo, como iremos ensinar no nosso curso. Já quando se observa a oportunidade como a perspectiva da teoria da criação, o empreendedor deve evitar o plano de negócio até que a oportunidade seja de fato descoberta, uma vez que ele acarretará perda de tempo e irá gerar informações de caráter duvidoso tanto para empreendedores quanto para investidores (ALVAREZ e BARNEY, 2000).

O Plano de Negócio, conforme teremos a oportunidade de aprender ao longo do nosso curso sempre foi a ferramenta mais indicada para os empreendedores. Contudo, nos últimos anos, é possível nota que o Plano de Negócios não gera os impactos esperados para determinados tipos de empresas.

Para a criação de Startups, por exemplo, o plano de negócios não é adequado. Isso acontece porque startups são empresas que surgem com objetivo de encontrar um modelo de negócios que possam gerar ganhos em escala, de forma inovadora, na maioria das vezes no meio digital. Ao invés de pensar em um plano de como a empresa irá funcionar nos próximos anos, Steve Blank sugere um processo que envolve a criação de oportunidade por meio de tentativa e erro. Isso implica em lançar um produto em formato digital e partir dos feedbacks dos usuários, fazer repetidos ajustes, até que ele possa atender os usuários.

INDICAÇÃO DE VÍDEO

Assista o vídeo a seguir e entenda como funciona o método de efetuação

https://ead.faminas.edu.
br/mod/page/view.php?id=18283

INTRAEMPREENDEDORISMO E EMPREENDEDORISMO CORPORATIVO

Sempre que lecionamos a disciplina de empreendedorismo escutamos de alguns alunos dizerem que está disciplina não é importante para eles, uma vez que eles não têm interesse em montar um empreendimento. Caso este seja o seu caso, saiba que hoje as empresas estão em busca de profissionais que tenham atitudes empreendedores, que saibam trabalhar com autonomia, desenvolver produtos e estratégias em busca de novos mercados. 

É dentro deste contexto, que surge o conceito de intraempreendedor, que é um tipo de empreendedor que atua em empresas já existentes, por meio de um comportamento inovador. Em outras palavras, o intraempreendedor é um funcionário diferenciado.  A globalização e a crescente competitividade das empresas fizeram o mundo voltar os olhos para esse tipo de indivíduo que agrega muito valor às empresas e as faz mais competitivas no mercado. Esse indivíduo é um tipo de empreendedor que não tem como objetivo a criação de empresas. Isto é, há indivíduos que possuem todas as características empreendedoras, mas que preferem desenvolvê-las nas empresas onde trabalham. De acordo com Filion:

Intraempreendedores são pessoas que desempenham um papel empreendedor dentro das organizações. São semelhantes aos empreendedores, salvo que o risco que enfrentam é muito mais baixo, porque estão usando o dinheiro e os recursos da empresa, ao invés dos seus. Se forem bem-sucedidos, serão beneficiados pelo seu sucesso. Trabalham em sistemas organizacionais nos quais tem menos poder que os empreendedores porque, como eles não são proprietários, tem que seguir regras e diretrizes sobre as quais não tem controle (2004, p. 74).

Não é difícil compreender que o estudo do intraempreendedorismo tem ganhado espaço nas discussões sobre gestão. Afinal, ter um empreendedor dentro das organizações confere a elas vantagens competitivas. As organizações estão inseridas em um ambiente efervescente de tecnologias, contingências e competidores. Se não criarem um ambiente propício para o aparecimento de inovações, elas perderão espaço no mercado.

Portanto, não se esqueça, você deve estar atento a oportunidades de negócios dentro da empresa que você atua. Ao identificá-las, alinhe com a sua chefia a possibilidade de explorá-la de forma inovadora. Ao trabalhar desta forma, você estará atuando como um intraempreendor.

RESUMO DA UNIDADE

Nesta unidade você aprendeu os principais conceitos de empreendedorismo, tendo como base três perspectivas: econômica, comportamental e de gestão. Além disso, apresentamos o conceito de empreendedorismo por oportunidade e empreendedorismo por necessidade e intraempreendedorismo.

Na próxima unidade você será irá compreender o que é inovação e a sua importância para o empreendedor.

Assista aos vídeos desta Unidade e aprofunde mais sobre o assunto:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

REFERÊNCIAS

    • ALVAREZ, S. A.; BARNEY, J.B. The entrepreneurial theory of the firm. Journal of Management Studies, v.44, n. 7, p. 1057-1063,  2007
    • ALDRICH, H. E.; WIEDENMAYER, G. From traits to rates: An ecological perspective on organizational foundings. Advances in entrepreneurship, firm emergence, and growth, v. 1, n. 3, p.145-196, 1993.   
    • BAUM, J. R.; FRESE, M.; BARON, R. A. The psychology of entrepreneurship.
      Psychology Press, 2014.
      .
    • BAUMOL, W. J. Entrepreneurship, management, and the structure of payoffs. 1993.  ISBN 0262023601. 
    • DRUCKER, P. F. The discipline of innovation. Harvard business review, v. 63, n. 3, p. 67-72, 1985. ISSN 0017-8012.
    • DORNELAS, José Carlos Assis.
      Empreendedorismo. Elsevier Brasil, 2008.
    • FILION, L. J. Empreendedorismo: empreendedores e proprietários-gerentes de pequenos negócios. Revista de administração, v. 34, n. 2, p. 5-28, 1999.
    • GARTNER, W. B. “Who is an entrepreneur?” is the wrong question. American journal of small business, v. 12, n. 4, p.11-32, 1988.
    • HÉBERT, R. F.; LINK, A. N. Theentrepreneur as innovator. The Journal of Technology Transfer, v. 31, n. 5, p.589, 2006.
    • HISRICH, Robert D.; PETERS, Michael P.;
    • SHEPHERD, Dean A. Empreendedorismo-9. AMGH Editora, 2014.
    • KIRZNER, I. M. Competition and entrepreneurship.   University of Chicago press, 2015.
    • LANDSTROM, H. Pioneers in entrepreneurship and small business research. Springer Science & Business Media, 2007.  ISBN 0387236333.
    • REYNOLDS, P. D.; CURTIN, R. T. Introduction. In: (Ed.). New Business Creation: Springer, 2011.  p.1-25.
    • SCHUMPETER, J. A. Business Cycles Voll. I.  1939.
    • SCHUMPETER, J. A. Teoria do desenvolvimento econômico: uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juro e o ciclo econômico.   Abril Cultural São Paulo, 1982.
    • SHANE, S.; VENKATARAMAN, S. The promise of entrepreneurship as a field of research.
    • Academy of management review, v. 25, n. 1, p. 217-226, 2000. ISSN 0363-7425.
    • TIGRE, P. Gestão da inovação: a economia da tecnologia no Brasil.   Elsevier Brasil, 2013.  ISBN 8535267344.

    • Sites acessados

      https://belezanatural
      .com.br/quem-somos/

      https://www.
      infomoney.com.br/
      negocios/grandes-empresas/noticia/
      7984238/de-9-mil-lojas-para-apenas-1-a-ascensao-e-a-queda-do-imperio-blockbuster

      https://exame.abril.
      com.br/revista-exame/nao-basta-ser-visionario/

      https://endeavor.org.
      br/desenvolvimento-pessoal/acredite-em-voce-sempre-day1-robinson-shiba/
      gclid=EAIaIQob
      ChMI6Oeh0dj14w
      IVBAmRCh03GQx
      HEAAYASAAEgI8NPD
      _BwE
Logo site Faminas Virtual
Pular para o conteúdo