Ao final da unidade I, esperamos que você seja capaz de:

Introdução à Antropologia

Introdução

“O homem é o resultado do meio cultural em que foi socializado. Ele é um herdeiro de um longo processo acumulativo, que reflete o conhecimento e a experiência adquirida pelas numerosas gerações que o antecederam. A manipulação adequada e criativa desse patrimônio cultural permite as inovações e invenções. ”

Roque Laraia de Barros.

Figura 1 - de truthseeker08

Figura I Unidade I
Fonte: Pixabay

“Os indivíduos, em todo o mundo, vivem em grupo. E as consequências da vida em grupo são o objeto de estudo da Sociologia. ”

Caroline B. Rose.

Estudar o homem é um dos grandes desafios da atualidade. A Socioantropologia, ciência que se funde entre duas áreas do conhecimento (Antropologia e Sociologia) é uma das ciências que preocupa em conhecer cientificamente o ser humano em sua totalidade.

Apesar de serem ciências independentes, ambas se complementam e se completam.

Para sua compreensão vamos partir do princípio de entendê-las separadamente, para então observar suas afinidades.

No Que Diz Respeito à Antropologia

Figura 2

Fonte: Pixabay

A Antropologia há poucas décadas conquistou seu lugar de destaque entre as ciências. O início (século XIX) recebeu o apelido de “a ciência das sombras”, pelo fato de estudar praticamente tudo que não interessava às outras ciências humanas. Era dedicado a quem tinha dinheiro e tempo, um “passatempo de amadores abastados”.

Ainda hoje continua associando erroneamente a uma disciplina com macacos, esqueletos, índios, cacos, povos primitivos, folclore e coisas exóticas.

Figura 3

Fonte: Robin Higgins por Pixabay

Mas se não é isto, o que é então antropologia?

O que o antropólogo faz e estuda?

Para que serve a antropologia?

Podem parecer bobas as perguntas, mas não são. Quando afirmamos que antropologia é a ciência do homem estamos indo muito além, visto que existem várias ciências que estudam o homem, como a biologia, psicologia, sociologia.

Parece complicado, mas não é!

Bem verdade que os diversos campos de estudo que abarcam a antropologia é vasto e diversificado na maneira de fazê-lo. Assim, existem antropólogos de diversos países e épocas que possuem temas e interesses diferentes uns dos outros.

Na busca da compreensão humana em sua totalidade, Marina de Andrade Marconi e Zélia Maria Neves Presoto, (2001: 23) confere a disciplina um tríplice aspecto:
CIÊNCIA SOCIAL CIÊNCIA HUMANA CIÊNCIA NATURAL
Propõe conhecer o homem enquanto elemento integrante de grupos organizados.
Volta-se especificadamente para o homem como um todo: Sua história, suas crenças, usos e costumes, filosofia, linguagem, etc.
Interessa-se pelo conhecimento psicossomático do homem e sua evolução

Vemos, portanto, que a antropologia é muito mais ampla do que simplesmente o estudo do homem, mas se preocupa com o homem em todas as atividades geradas a partir de sua existência e vivência humana, em seu todo (seja no âmbito cultural, econômico, social, político, religioso, etc) e em diversos momentos históricos. Relacionam-se, assim, como as chamadas ciências biológicas e culturais; as primeiras visando o ser físico e as segundas o ser cultural (MARCONI; PRESOTO, 2001).

Figura 4

Ocasionada por sua diversidade e campos de interese, a antropologia não sobrevive sozinha, precisa da colaboração de outras áreas do saber, mas possui uma unidade, vez que seu foco de interesse é o homem e a cultura. Neste sentido dialoga intensamente com a Sociologia, por lhe dar suporte para a compreensão deste homem social.

Parece claro a todos que o objeto de estudo da antropologia é, de fato, o homem e suas obras. Tais objetos englobam, desde as formas físicas primitivas, bem como as atuais e todas das formas de manifestações culturais. A compreensão destes princípios, constituem tarefa do antropólogo.

Vejam bem, para a minha formação profissional, em diversos campos de atuação, necessito compreender a evolução humana acima descrita para uma atuação crítica, ética, política, social e econômica da sociedade que me cerca. Tal fator me proporcionará entender o papel assumido enquanto ser indivídual e social do mundo que me cerca, sentindo agente e transformador do meio no qual vivo.

Hoje se observa que a antropologia cresceu: trabalhos publicados, mais especializações, mais teorias, mais técnicas de pesquisa. Mesmo com todos os problemas das ciências atuais, a antropologia deixou de ser criança e virou um adolescente. Existe uma relação com a construção deste conhecimento e a todo  momento a antropologia bebe nas águas profundas da interpretação histórica metodologicamente.

De acordo do Claude Lévi-Strauss:

“A história não está ligada ao homem, nem a qualquer objeto em particular. Consiste inteiramente no seu método; a experiência comprova que ele é indispensável para inventariar a integralidade dos elementos de uma estrutura qualquer, humana ou não humana. Longe, portanto, de a pesquisa da inteligibilidade resultar na história como o seu ponto de chegada, é a história que serve de ponto de partida para toda a busca de inteligibilidade. Assim como se diz de certas carreiras, a história leva a tudo, mas contanto que se saia dela.”

Claude Lévi-Strauss. O Pensamento Selvagem. São Paulo: Nacional, 1976

PARA REFLETIR

Após esta breve introdução sobre a Antropologia, o que acham de fazermos uma pesquisa sobre um dos maiores antropólogos da humanidade?


CLAUDE LÉVI STRAUSS. Seria uma forma de crescimento intelectual e profissional. Leia, depois vá até o fórum na disciplina e troque ideias a seu respeito. Será um prazer recebê-los por lá.

Os Sentidos Da Antropologia​

CONCEITO

Porque, habitualmente, comemos frango assado aos domingos, mas não temos o hábito de comê-lo nos dias de semana?

O termo antropologia deriva do grego, sendo formado a partir da junção de duas palavras: Anthropos (homem) e Logos (conhecimento). Significa em linhas gerais, portanto, conhecimento do homem. Por outro lado, nada é mais vago que esta definição, uma vez que qualquer área das ciências humanas também busca conhecer o ser humano. Definido o sentido etimológico do termo, portanto, à sua origem, é preciso definir de forma mais precisa o seu sentido concreto e o campo de estudos da antropologia, e podemos fazer isto, por exemplo, a partir da seguinte pergunta:

Vejamos, então: nos domingos, as padarias colocam frangos assados girando na entrada (a popular televisão de cachorro), as pessoas compram, levam para casa e o almoço está garantido. Nos dias de semana o frango assado não é exposto e, quando as pessoas comem frango, normalmente é cozido, e não assado. Porque, em uma perspectiva antropológica, isto ocorre? A resposta a esta pergunta ajuda a esclarecer o sentido do conhecimento antropológico e, por isto, vamos trabalhar este tema, aparentemente trivial.

  1. Domingo é um dia nobre; um dia que possui um sentido religioso que o diferencia dos demais dias da semana, que são dias profanos. A palavra domingo vem do latim die dominicus, que significa dia do senhor, assim como dimanche (domingo em francês) e domenica (domingo em italiano). Domingo, portanto, no Ocidente, é o dia consagrado a Deus, assim como os demais dias da semana, são consagrados ao trabalho profano. E no domingo, por ser o dia do Senhor, não se trabalha;

  2. Domingo é o dia do lazer. É um dia festivo, sunday (domingo em inglês), significa dia de sol, assim como sonntag (domingo em alemão) também significa dia de sol. O domingo, portanto, é um dia consagrado e festivo: etimologicamente, é um dia
    ensolarado;

  3. Toda civilização cria princípios referentes à alimentação, e um princípio universalmente presente e compartilhado em todas as civilizações historicamente conhecidas define a diferença entre a carne assada e a carne cozida. Universalmente, a carne assada é nobre em relação à carne cozida. Assar a carne confere a ela um status diferenciado, coloca-a a em um patamar superior, ao passo que a carne cozida é vista como alimento cotidiano. Ora, esta distinção universalmente aceita entre o assado e o cozido reflete-se na distinção cultural entre o frango assado e o frango cozido.
Frango assado

Figura 4

Frango cozido

Figura 5

O frango assado, por ser assado, é nobre, destina-se a dias especiais, ao passo que o frango cozido é plebeu, vulgar, destina-se à refeição cotidiana. O domingo, por ser um dia nobre, é o dia no qual nos alimentamos de forma diferenciada. A alimentação, no domingo, não tem o sentido meramente utilitário que possui nos demais dias da semana. O almoço do domingo possui um sentido cultural que o diferencia e, por isto, o prato a ser servido também deve ser diferenciado: entre tantos outros, o frango assado, nobre precisamente por ser assado. Mas, então, o que isto tem a ver com a antropologia?

É a dimensão cultural e simbólica dos procedimentos humanos por exemplo, comer frango assado aos domingos que a antropologia busca compreender. Este é o seu campo de estudo e é a definição deste campo que a define enquanto ciência e a diferencia das demais disciplinas científicas que, para retomar a origem etimológica do termo, também buscam conhecer o homem.

Retomemos, ainda, o tema da alimentação. Em relação a este tema, há alguns tópicos a serem estudados e que nos ajudam a definir o sentido e o objeto de estudo da antropologia. Vamos a eles:

  1. Animais comem por uma questão de sobrevivência e comem qualquer coisa que atenda às suas necessidades orgânicas. Nós, seres humanos, não agimos assim. Não comemos o que, culturalmente, não é aceitável como alimento, mesmo que este alimento corresponda às nossas necessidades orgânicas (carne de cachorro, por exemplo, no caso dos ocidentais, ou carne de porco no caso dos judeus, ou carne, de uma forma geral, quando se trata de vegetarianos). Nossa alimentação é culturalmente condicionada e é este condicionamento cultural que constitui o campo de estudo do antropólogo;
  1. O ato de comer, para o ser humano, é um ato ritual. Compartilhar o alimento com outras pessoas representa a demonstração e celebração dos vínculos que nos unem a estas pessoas. Quando, por exemplo, o alimento e principalmente o bolo é compartilhado com os convidados em uma festa de casamento ou de aniversário, são reforçados e comemorados os vínculos que unem os convidados aos noivos e aniversariante, e é igualmente o evento aniversário ou casamento que é celebrado a partir do alimento a ser compartilhado.

 

Por isto, este alimento deve ser ritual, ou seja, festivo, não sendo admitido, ou sendo visto com pouco caso o famoso arroz-de-festa o alimento vinculado ao cotidiano.Imaginem uma festa de casamento no qual o único alimento servido aos convidados seja arroz e feijão!

Arroz e feijão

O ser humano prepara o seu alimento. Não comemos o que a natureza nos fornece exatamente como ela nos fornece. Somos carnívoros, mas não comemos carne crua, por exemplo. E mesmo os vegetais devem passar por um processo de preparação.

Figura 6

INDICAÇÃO DE VÍDEO

Para entendermos melhor sobre a antropologia da alimentação, você pode assistir esse breve vídeo, é só clicar ou copiar o link abaixo.

Assista aos vídeos desta Unidade e aprofunde mais sobre o assunto:

Parte 1

Parte 2

REFERÊNCIAS

  • RAM
Pular para o conteúdo